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Tópicos - Manec

Páginas: [1] 2 3 ... 7
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Histórias - Exposição e avaliação / Ictasis nº1: Utopia
« Online: 09 Dez 2017, 10:57 »

ICTASIS Nº1: UTOPIA

Em primeiro lugar, olá. O texto que coloco abaixo se trata do prólogo e de um pedaço do primeiro capítulo do livro que estou escrevendo. A história parte do recomeço de uma antiga guerra no vale de Ictasis. Estou em busca de avaliação, para entender se o texto está decente. Não coloco o capítulo inteiro porque é realmente grande.

"Os ursos polares — que já foram pardos, mas exilados — retornam para conseguir vingança. Enquanto o combate ocorre, algumas aparições de humanos esquisitos nas terras de Ictasis causam indagação: de onde eles vêm? Por que eles vêm? Seria mais fácil se eles soubessem responder, mas Octto mesmo — uma dessas pessoas e um dos protagonistas — não sabe responder. Seu quarto encolheu até parecer uma caixa, uma luz tomou sua visão e, assim que pôde voltar à enxergar, estava numa floresta esquisita. Por azar, ele acaba entrando na confusão entre pardos, polares e humanos, sendo levado para o lugar de onde os exilados voltaram."

Spoiler
PRÓLOGO

EMPECILHO
Mais uma manhã chegava. Octto escovava os dentes de cara para a janela, enquanto seu café esfriava sobre a mesa. Mas uma dor terrível o fez cair na cama. Ainda estava acordado, mas não se sentia capaz de se levantar. O seu quarto começou a se compactar: as paredes se aproximavam de seu corpo. Ele até pôde ouvir a voz do pai: “Eu já disse que vou te expulsar, empecilho!” — ele não sabia que Octto estava passando mal. Foi então que a visão de Octto começou a se clarear, ao ponto de tudo ficar branco. Ele desmaiou.

CAPÍTULO 1 – INOPINADO E FULMINANTE

POLARIS, O URSO
Já era tarde, mas o grupo de Reiss continuava a andar. Polaris era a chave de tudo dessa vez, precisava ficar atento. O grito de Huggo tirou sua concentração por um minuto, mas Reiss o fez se recuperar. Estava acordado fazia dois dias, mas agora era o momento mais importante: atravessar o pequeno relevo nevado que separava Ictasis de Ogardo. Era relativamente alto e íngreme, parecia uma parede. Também era o final de um estreito corredor, que terminava no Beco Polar. Polaris deveria fazer todos os trenós atravessarem o corredor e subirem o paredão de neve, sem serem avariados.
— Espero que saiba o que está fazendo. — Disse Reiss, que estava no mesmo trenó que Polaris.
— Sim. Quando eu falar, abaixe a vela, senhor. — Estavam se aproximando do corredor. Assim que as pás tocaram o solo certo, Polaris deu o sinal. Reiss abaixou as velas. Ele puxou as pás, a barriga do trenó passou a tocar o chão. Os outros ursos lançaram as correntes, Reiss amarrou todas elas. Todos abaixaram as velas, assim como Polaris. Com a barriga no chão, ele escorregava facilmente — era esse o objetivo, afinal. Os outros ursos pularam dos trenós, deixando tudo mais leve. Com isso, Polaris subiu a parede com o trenó e saltou até o chão arenoso de Ictasis. O exército escalou o paredão com as garras, finalmente estavam do outro lado.
— Bem feito, novato. Muito bem feito. — Reiss deu a ordem para que escondessem os trenós, iriam invadir Omá nas próximas horas, caso uma avalanche ocorresse, perderiam os trenós. Por isso precisavam atravessá-los.

DOMIYA, O CAVALEIRO
Estava frio no salão, mas Ernhel não fechava as janelas. Queria ter certeza de que qualquer som pudesse ser ouvido. Estava estranhamente assustado e, quando lhe perguntavam sobre o motivo, dizia que estava com um pressentimento ruim. Domiya não se incomodava com o frio, continuou caminhando na direção da cadeira do governador, que estava voltada para a janela.
— Veio antes do horário combinado. — Disse Ernhel, sem olhar para os olhos dele.
— Se quiser, senhor, posso retornar em outra hora. — Ele se ajoelhou, sabia que ele não diria um “não”.
— Como está o exército?
— Mobilizado, mas confuso pela sua paranoia, senhor.
— Ah sim... diga para eles que eu tenho ouvidos lá. — Se virou para Domiya.
— Isso não os deixaria ainda mais confusos, senhor?
— Se prepare para defender Sativa, caso nada aconteça hoje, pode desmobilizar as tropas. — Deu o sinal para que Domiya saísse, se virando novamente para a janela. Ainda estava observando.

OCTTO, O IMPRESTÁVEL
Enquanto as coisas importantes aconteciam, Octto acordava na floresta. Ele não a conhecia e não sabia o que o levava até ali, mas era ali que ele estava. Levantou por um minuto e caminhou pela clareira. Não achou nada. Começava a coçar a cabeça, como costumava fazer enquanto se estressava. Mas logo, uma voz alta e cheia de calor interrompeu seu momento de perturbação. Por um momento, Octto acreditou que tinha achado alguém. No outro, se viu falando com um rato, o que parecia esquisito para ele.
— Tire os pés daí! Eu passei horas abrindo essa passagem na grama, me deixe atravessar! — Dizia o camundongo, gritando com fervor.
— De... desculpa. — Ele se afastou. Antes que o rato pudesse voltar a pragueja-lo, os passos firmes que vinham do fundo da floresta o calaram. Eram ursos pardos, corriam para o deserto.
— Sax? — Disse, espantado.
— E você também. Venha rápido, não temos muito tempo. — Assim que disse isso, o rato saiu correndo. Octto o seguiu, não queria ficar sozinho ali. Nem sabia onde estava. Seguiam para o deserto. Os pés dos pardos esmigalhavam a grama, um rastro notável era deixado por onde eles passavam.
Seguiram pela mesma direção por uma hora e, após atravessar um pequeno riacho, finalmente chegaram no deserto. Dessa vez, os pés dos pardos levantavam poeira. Octto mal podia ver. Do outro lado do deserto, outra raça de ursos levantava poeira.

AS PATAS DOS POLARES
Conforme seguiam pelo deserto, as patas dos polares ardiam. Nunca tinham pisado em nada tão quente, mas seguiam firmes. Ao final da tarde, deveriam terminar seu ataque. A cidade de Omá, numa cratera dentro do deserto, já podia ser vista. A nuvem de poeira que os ursos pardos criaram também estava visível. Eles pensaram que se tratava de uma tempestade, então aceleraram o passo para não encontrar com ela.
— Portões de ferro... — Disse Polaris.
— Vamos derrubar. Se preparem, todos vocês! — Reiss gritou, todos ouviram.
— Espere... — Polaris interrompeu.
— O que foi?
— Estão abertos... os portões estão abertos. — Apontou para uma pequena abertura.
— Fácil demais... isso é esquisito. O que acham? — Reiss abaixou o tom, os outros ursos começaram a discutir entre si. Huggo tomou a frente.
— Não sabemos o quão desleixados podem ser esses malditos humanos. Acho que, mesmo que seja uma armadilha, não será capaz de nos atrapalhar.
— Eu concordo... é impossível que eles prevejam nosso ataque... — Polaris roubou o olhar de Reiss, que concordou com a cabeça.
— Tudo bem. Iniciem o ataque! — O comando retomou a bravura dos ursos. As patas dos Polares voltaram a bater.

A INTUIÇÃO DE ERNHEL
Os ursos polares acabavam de chegar ao território humano. Ernhel os viu pela janela.
—Mandem chamar o Domiya. — Ele disse, apoiado na porta.
— Já estou aqui. Disse para que eu voltasse a cada uma hora, se esqueceu? Diga, senhor. — Ele se ajoelhou mais uma vez.
— Ali. Estão atacando Omá. Eu falei que algo de ruim aconteceria, não falei?
— Me descul-
— Pedir desculpas não faz você parecer menos imbecil. Mobilize o exército, vão para a cidade vizinha.
— Não deve dar tempo.
— Eu não perguntei, Domiya. Apenas faça o que mandei. — Ele voltou para perto da janela.
— É claro, meu senhor. — Domiya deixou a sala novamente.
O cavaleiro desceu as escadas correndo e foi até o quartel, no térreo. Gritou para que as tropas se preparassem. Eles já estavam preparados, temiam que Ernhel fosse checa-los. O grupo de Domiya seguiu para Omá, mas não chegariam antes dos ursos pardos.
[close]

2
Histórias - Exposição e avaliação / Nosso Paraíso
« Online: 07 Dez 2017, 07:16 »
Antes que eu siga com o tópico, não sei escrever poemas. Sim, sim. Também não costumo escrever o gênero, talvez por não saber muito. Esse é algo que apareceu na minha cabeça, foi do nada. Não achei que ficaria interessante num texto comum — uma crônica ou um mini-conto, talvez um textículo — por isso escrevi assim.

Aqui está:


Nosso Paraíso

Assim como a gota
se perde no rio
eu me perco nas palavras.

É a mais pura verdade,
não sei o que dizer.

Talvez é disso
que sai o meu sentimento,
meu motivo para escrever.
A falta dessas palavras
me motiva.

— Se lá no fim
não houver um paraíso,
criamos o nosso,
tudo bem?

Ouvi quieto,
olhando fundo.
Não tive as palavras
certas para responder.

É a mais pura verdade,
não sei o que dizer.

Talvez essa falta,
vazia e melancólica,
é que matou
o nosso paraíso.

Tá aí. Ficou muito ruim?  :medo:

3
Notícias do Portal / Os Clichês
« Online: 09 Set 2017, 09:32 »
OS CLICHÊS
O herói super-forte e burro, a princesa delicada e bonita, o protagonista fraco e chorão que se torna forte, a garota selvagem e briguenta: ah, os clichês. Mas, pensando bem, eles são realmente ruins? Os clichês podem tornar meu projeto uma porcaria? Se sim, como eu poderia evitá-los? Vamos discutir um pouco sobre os clichês?


4
Matérias / Os Clichês
« Online: 09 Set 2017, 09:30 »


OS CLICHÊS


Em primeiro lugar, gostaria de dizer que clichês não são necessariamente ruins. O problema é que histórias clichês geralmente se tornam um saco para ler, você já sabe o que esperar e por isso não se surpreende.  Quando uma história foge dos clichês, tem plot twists e segue de uma forma curiosa, geralmente o interesse em lê-la se torna maior, e as chances de parar no meio do caminho diminui e muito.

Escreva pouco



Tente escrever aos poucos, sem muito texto. Dedique quinze minutos do seu tempo para escrever, tome uma longa pause e volte depois. Quanto mais você escreve, mais você torce o pano da sua criatividade; dê um tempo para molhar o seu pano novamente. É impossível evitar todos os clichês, sempre vai haver algo aqui ou ali que já foi visto em algum lugar. Por isso, é necessário abrir um melhor caminho para o inesperado, precisa-se de mais tempo para pensar.

Digamos que você tenha uma ideia incrível sobre um gato voador que leva o príncipe que estava prestes a salvar a princesa do dragão-dinossauro de oito asas... escreva isso e dê um tempo. Espere novas ideias surgirem, tente não forçá-las. Caso você continue a escrever, as chances de sua obra — seja jogo, HQ, livro ou conto — adquirir um clichê são maiores. E não só isso, as chances da sua qualidade diminuir também são.



Dedique seu tempo


"WTF, Manec... você não disse pra escrever pouco?

Sim, eu disse.

Mas dedicar o seu tempo para sua história não significa passar o dia inteiro escrevendo, mas sim adquirindo influências. Não, não falo de copiar outras obras, nem se inspirar demais... você está escrevendo ou produzindo algo do gênero Sci-Fi, por que não buscar ler textos Sci-Fi de diferentes autores? Sim, muitos autores. Dedique o seu tempo a ler essas coisas. Você vai entender o que dá certo, o que é legal. Estude as obras, tente pensar como o autor dela. Veja os pontos que não gostou e os que gostou, faça uma lista. Depois, junte o que gostou em cada texto e tente escrever. Você leu muita coisa, é impossível copiar todas elas. Lendo muito, você vai saber quais clichês evitar.

Se imagine...


•...como seu personagem.
Você passou uma vida monótona no campo treinando com sua espada contra uma árvore e seu amigo melequento. Você vai ser melhor com sua espada do que aquele príncipe educado só porque tem força de vontade? Acho que não. Imagine seu personagem, o que ele faria perante tais situações? Seu personagem é um brutamonte? Tem certeza de que ele pensaria numa estratégia para derrotar o inimigo que é mais forte do que ele? Possivelmente ele atacaria sem pensar. Não seria interessante envolver outro personagem na trama para ajudá-lo ou, talvez, criar situações onde ele deva treinar seu intelecto que deixou de lado até aqui? Pense em situações que podem fazer seu personagem crescer.

•...como o seu público.
Em nossos trabalhos, quando criamos personagens, devemos tentar dar profundidade para eles. Não é interessante que seu personagem faça coisas que não faria apenas para que a história fique mais legalzinha. Pense como leitor, jogador ou telespectador: o que você já está cansado de ver? O que você busca quando abre um novo livro, baixa ou compra um jogo novo e assiste uma série nova? Coisas novas, certo? Eu tenho certeza que sim. Pense em que você gostaria de ler a respeito do tema o qual você desenvolve na sua história. "Nem toda ficção espacial precisa de um Darth Vader..."

Goste de fazer



Caso você não goste de escrever, não adianta. Você tem duas opções mais óbvias: deixar de escrever ou tentar aprender a gostar. Se você não gostar de escrever seu livro, o roteiro do seu jogo ou da sua animação, como espera que alguém venha a gostar de consumir sua criação?

Tente gostar de produzir seu conteúdo, mas ainda mais: tente gostar de seu conteúdo. Não faça algo pensando em quanto as pessoas vão gostar, nem tente atingir o máximo de públicos possíveis — muito possivelmente você não vai atrair nenhum deles assim. Faça uma rotina de trabalho interessante, que lhe pareça simples e fácil de seguir. Isso vai evitar que você coloque qualquer coisa na história, evitando clichês e até mesmo uma história ruim. É uma dica ruim que todo mundo sabe mas nunca aplica. Tente aplicar as dicas de verdade, se empenhe ao seu trabalho.

Outra forma: não planeje. Para algumas pessoas, é mais fácil fazer sempre que tiver alguma inspiração. Isso é mais falho e pode resultar num desinteresse e descompromisso com o que quer que você esteja fazendo, mas funciona bem para alguns. Só evite procrastinar, não que nunca vá acontecer, mas evite.

Conclusão/Perguntas/Sugestões (se houverem)

Enfim, cá estou eu mais uma vez — faz quanto tempo que eu procrastino aqui?  :sera: Vou manter os GIFs de anime u-u





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Músicas - Exposição e avaliação / As Vozes
« Online: 07 Ago 2017, 19:46 »
Tentativa merda de fazer uma música.


Não me crucifiquem pela qualidade horrível do áudio  :T.T:

6
Bem, eu estava nas minhas brisas diárias — ou devaneios —, quando tive a vontade de escrever algo. Na verdade, eu senti obrigação de escrever algo. Só que eu não tinha ideia alguma  :ded: então, decidi abrir o bom e velho WordPad e comecei a escrever apresentações de personagens, como se eu fosse eles escrevendo. Eu gostei dos personagens que eu criei. Aí, me veio a excelente ideia de inventar uma história do nada, eu comecei a escrever tudo o que vinha a cabeça no programa, logo, surgiu algo. Eu apaguei tudo, claro. Mas surgiu a ideia, é isso que importa u-u aí, dessa loucura toda, surgiu essa espécie de textinho. Se puderem ler e avaliar, eu vou agradecer muito <3

OBS: Eu ainda não revisei o texto, possíveis erros de digitação e gramática serão corrigidos :3

Spoiler
tEryma


UM PRIMEIRO CAPÍTULO PARA UMA PRIMEIRA AVENTURA, MEUS AMIGOS LEITORES.


Era um daqueles dias irritantes de tão calmos. A chuva leve estava lá só para mudar a cor do céu, não era do tipo que fazia valer a pena usar um guarda-chuva. Eu, como sempre, ficava sentado próximo da janela, era como se nenhuma palavra fôsse necessária para conversar comigo mesmo. Era um dia irritante de tão calmo. Essas manhãs eram horríveis para nós porque nos impediam de sair para brincar, mas também não nos dava sinal de final. Eram diferentes das chuvas pesadas, elas duravam de quinze à vinte minutos, aquelas chuvinhas duravam o dia inteiro... quem gostava muito daquelas chuvas era a Myta, ela cultivava uma espécie de jardim próximo da casa e, com a chuva fraca, não era necessário sair nem para regar as plantas e nem para retirá-las de lá. Eu sempre fui muito calmo, então era como se eu não me importasse — é claro que eu me importava, mas não podia demonstrar aquilo e, se eu o fizesse, estaria abandonando o papel de garoto sério e neutro de sempre. Aliás, não pense na Myta como uma boa garota que amava as plantas, ela podia gostar delas, mas era o tipo insuportável de pessoa que faz coisas ruins mesmo sabendo que são ruins, apenas "pelo prazer de irritar", como dizia. Era difícil ser neutro, mas, apesar de ser tão insuportável quanto, Dish geralmente estava certo, Myta adorava irritá-lo, afinal, ele era o mais novo de nós três. Vivíamos numa cidade pequena no campo, éramos os típicos caipiras que nunca tinham visto um carro ou coisa parecida, mas não éramos ignorantes.
Tínhamos um tio chamado Oliver, ele morava numa cidade grande, então sempre trazia alguma coisa diferente para nós. Ele havia crescido naquele lugar, assim como os meus outros tios — eu, Dish e Myta éramos todos primos, o pai de Dish e a mãe de Myta eram irmãos do meu pai, assim como do tio Oliver —, mas havia se distanciado de lá. Apesar de não ser bem visto pelos pais, os irmãos sempre gostaram muito dele.
Naquele dia, ele veio novamente, viria para ficar quase um mês, estava de férias do trabalho. Ele parecia estar melhor a cada vez que vinha nos visitar, o preço dos presentes subia, mas não tanto quando as pontas do seu sorriso: era um homem bem sucedido, afinal. Ele nos trouxe um computador, não era dos melhores, mas na época eu não fazia ideia disso. Ele instalou uma espécie de plano de internet, também, afinal, ficaria por um mês e não deixaria de usá-la. Meus pais não fizeram nada quanto a isso, além de reclamar pela falta de espaço para se colocar um computador, o que fez o nosso tio construir uma espécie de quartinho no meio das três casas, ele não sabia fazer aquilo direito, então o meu pai acabou ficando com grande parte do serviço. Logo estava lá, o nosso primeiro computador.
—Ei, Liel. Você sabe ligar esse negócio? — Dish murmurava essas palavras enquanto comia o resto de seu almoço, estávamos todos ansiosos para ver o brinquedo novo.
—Claro que não. E você, não sabe?
—Não... — estava meio decepcionado.
—Vocês são burros? Por que não chamam o tio? — Myta apertava sem parar cada um dos botões do teclado, sem nenhuma resposta da máquina. Corremos para chamar o tio, já havia passado uma semana desde que o computador estava ali, imagine nossa agitação para ligar aquilo? Havíamos esperado tanto tempo! Mas, apesar disso, o tio não demonstrava nenhuma vontade em se levantar de onde estava, o fazendo da forma mais lenta que podia, logo, eu e Dish voltamos arrastando ele pelo braço.
—Oh, é isso? É só apertar aqui... — disse apertando um botão naquilo que chamávamos de grande caixa branca, o CPU.
—Mas nós já apertamos isso, tio. Por que não funcionou na nossa vez?
—Vocês não ligaram na tomada, ele precisa de energia pra funcionar.
—Energia como a que usamos pra correr? — Dish falou.
—De certa forma... mas isso é energia elétrica, tipo os raios.
—Quer dizer que tem um raio nesse buraquinho? — Myta falou enquanto arrancava dos dentes os restos de comida, não éramos muito educados.
—Não é um "buraquinho", dentro dele existem alguns fios. Veja bem, é como o que vocês usam para ligar a geladeira e a televisão.
—Mas tio, nós não temos televisão — Myta disse.
—Mas têm geladeira, não?
—Sim, mas ela não é ligada nesse raio — decidi falar.
—Não é um raio! Mas sim, ela é ligada na tomada, só que vocês nunva viram, afinal, a tomada fica atrás da geladeira.
—É verdade. Eu acho que já vi algo assim enquanto a mamãe limpava — Dish ainda estava comendo, acredite se quiser. Decifrar o que dizia era um desafio.
—Eh... mas então, está ligado, eu vou voltar pra casa, está meio frio aqui...
—Mas tio! — o interrompi — Nós não sabemos usar isso...
—Onde eu estava com a cabeça... bem, eu tenho um tempinho pra ensinar pra vocês...
Daquele dia em diante, nunca deixamos de usar o computador, nós três. As chuvas fraquinhas começaram a aumentar conforme o inverno se aproximava. Naquela região, não fazia realmente frio, não como o lugar onde o tio Oliver morava, por exemplo; contudo, as chuvinhas ficavam mais constantes. As chuvas mais fortes vinham junto com a primavera, eu gostava delas. Conforme éramos impedidos de sair para brincar, nossas idas até o quartinho com o computador ficaram mais frequentes, estávamos o tempo todo lá. Jogávamos uns jogos que o tio havia instalado, mesmo que não soubéssemos o que isso significava quando ele falou. Não me lembro bem de muitos deles, mas o jogo antigo emulado era muito divertido, nos desafiávamos. "Quem conseguir passar cinco fases sem morrer nenhuma vez vai poder jogar mais uma vez!", e assim passávamos as tardes chuvosas. Foi um tempo bom, mas ele não vai voltar.
Eu lembro que quando completei vinte e dois anos, me mudei para Eistia, cidade onde meu tio Oliver morava. Aliás, preciso dizer... ele morreu alguns meses antes num acidente de carro. No hospital, ele havia escrito o documento que nos dava o direito à casa, nós três. Myta já não estava mais na nossa vilinha caipira, ela era a mais velha de nós, então já estava estudando numa cidade longe. Dish era o mais novo, na época em que me mudei, ele tinha dezenove anos, então, concordou em me deixar com a casa. Apesar disso, a casa nunca deixou de ser de nós três. O computador quebrou com o tempo, nunca mais jogamos juntos. Na época em que ele estragou, Myta ainda estava conosco. Arrancamos as teclas com as iniciais dos nossos nomes — M, L e D, dos apelidos na verdade — e fizemos uns cordões com eles, marcaria nossa amizade. Essa é a história de como comecei a carregar uma tecla de computador no meu pescoço, pra sempre.
—É uma bijuteria bem estranha, se me permite dizer — estava lá para ajudar, mas não sabia fechar a boca. Era o meu simpático novo viziho.
—Tem algum valor pra mim.
—Hahaha... eu acredito que tenha. O seu tio era um ótimo vizinho.
—Também era um ótimo tio...
—Bem, eu devo ir e você também! Sabe, a essa hora da noite, andam ocorrendo algumas coisas...
—O quê? — eu joguei a caixa no chão e me virei para ouví-lo.
—Não sabemos quem é, mas alguém enviou uma carta ao presidente, pedindo para tomar o poder ou qualquer coisa assim. É óbvio que ele ignorou. Desde então, a pessoa que enviou as cartas anda colocando pressão no Estado pra pegar o poder, é como uma rebelião descarada... você sabe... não é legal se meter com essa gente.
—É estranho... é impossível fazer isso nos dias de hoje, não é? Digo... uma rebelião à luz do dia.
—Ah, pirralho, eu não sei de mais nada... apenas entre, viu? Não quero perder mais um vizinho.
Eu achei aquilo tudo muito estranho, eu não tinha ouvido nada sobre aquilo... o Estado estava tentando esconder as coisas? Como não pegaram a pessoa responsável? Mas isso não era da minha conta, eu deveria guardar aquelas últimas caixas e entrar, a velha casa do meu tio me esperava. Tepp, meu vizinho, havia me avisado, mas eu era um pouco lerdo com o serviço. Eu mal pude sentir, mas algo atingiu meu pescoço... eu apaguei.
Era um quarto escuro cheio de pessoas amordaçadas, eu ainda estava atordoado, mas podia ver bem. Logo, aquela sala cheia de pessoas nos deixou só, apenas três. Comigo havia mais um rapaz, bem pequeno e magro; também uma garota, parecia ser um pouco mais nova do que eu. Que diabos estava acontecendo ali? A minha infância passava na frente dos meus olhos... então, eu só podia pensar em sair dali.
As mordaças foram retiradas, também as algemas. Ninguém nos deu ordem ou nos disse o que estava acontecendo, estávamos livres numa sala fechada, podendo nos mover livremente, mas sem contato com o exterior. O cômodo tinha cerca de dez metros quadrados, era uma sala branca com algumas camas e mesas, também uma porta, com um buraco pequeno, talvez servisse para que passassem alimentos, mas será que nos dariam de comer? Eu não queria pensar nisso. Estava um silêncio absurdamente confuso, ninguém sabia quem era ninguém, mas ninguém queria falar nada, ou melhor, ninguém tinha coragem para falar.
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Notícias do Portal / A Organização de seu Projeto
« Online: 03 Jun 2017, 13:44 »
DICAS PARA A ORGANIZAÇÃO
DE SEU PROJETO

Você sabe o que é organização? Sabe o quanto ela importa? A organização é a base para dar vida a um projeto, seja sozinho, seja em grupo: a organização é importante. Existem diversas formas de se organizar, cada pessoa tem a sua própria; você deve encontrar o método que melhor lhe caiba e usá-lo da melhor forma possível, segui-lo a risca, fazer todo o possível para não 'avacalhar' com seu método de trabalho.


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Matérias / A Organização de seu Projeto
« Online: 03 Jun 2017, 13:38 »


DICAS PARA A ORGANIZAÇÃO
DE SEU PROJETO


Você sabe o que é organização? Sabe o quanto ela importa? A organização é a base para dar vida a um projeto, seja sozinho, seja em grupo: a organização é importante. Existem diversas formas de se organizar, cada pessoa tem a sua própria; você deve encontrar o método que melhor lhe caiba e usá-lo da melhor forma possível, segui-lo a risca, fazer todo o possível para não 'avacalhar' com seu método de trabalho.

O quanto...?


Tenho certeza de que você já se pegou num momento de um projeto, seja um jogo ou não, onde não sabia como continuar ou com que continuar, certo? Você pode ter parado pra pensar e visto a quantidade de coisas diferentes para se fazer e, sem saber por qual começar, fez de forma desorganizada e que pode ter falhado. Um exemplo simples disso é: Configuro o banco de dados ou crio o sistema de pescaria? Depende da situação, mas a conclusão pode ser essa: Faça aquilo que menos gosta primeiro e se desanime no caminho, faça aquilo que mais gosta primeiro e se depare com um desânimo enorme para fazer a próxima parte — talvez até desanimando no meio do caminho, sabendo o que virá logo depois. "Mas Manec, isso é uma atitude infantil e ilógica". Não, não é. Gosta de trabalhar no seu projeto, mas sempre vai haver algo que desgoste, por isso, equipes são tão importantes. Você pode gostar de mapear e não saber programar, ter preguiça de aprender ou até mesmo achar difícil demais. É por essas causas que a organização é tão importante.

Por isso, comecemos.

Sua Rotina de Trabalho:

Já pensou em fazer isso? Criar uma rotina para se trabalhar? Bem, isso é muito simples: basta criar metas para a semana e distribuir, de forma realista — levando em conta seu tempo livre — a execução de cada uma delas. Faça intervalos de pelo menos 15 minutos à cada 40 minutos, assim o trabalho se torna menos cansativo. Nesses 15 minutos, você pode fazer algo que queira, ouvir alguma música, ver vídeos, xingar no Tweeter, jogar algo rápido ou conversar em algum chat da internet. É interessante distribuir as atividades baseado nisso:


"O que farei?"

Aqui você deve dividir suas metas para a semana, o que pretende fazer? Vai focar num assunto só? Má ideia, que tal fazer coisas variadas para evitar ao máximo o enjoo e falta de vontade? Vamos fazer uma lista de exemplo para continuar:

•Programar os inimigos da zona West Jungles;
•Construir o cenário 5B da West Jungles;
•Programar o sistema Next Jungle King da West Jungles;
•Finalizar os mapas da West Jungles;

Bem, temos uma lista simples para ser usada, digamos que os sistemas ali sejam feitos por eventos, o que levaria a menos tempo gasto com eles, dependendo do mesmo. Nesse caso, suponhamos que seja um sistema simples de Caça de Insetos, ok?



"Como começar?"

Uma boa ideia é se organizar do mais complexo ao mais simples, nesse caso. Temos pausas durante as atividades, por tal, devemos supor que tudo seja menos enjoativo. Por isso, vamos começar do mais complexo ao mais simples, tentando diminuir a carga de atividades conforme a semana. No meu caso, o segundo item é o mais simples, trata-se da criação bruta de um mapa, ou seja, o mapeamento geral dentro do maker, ele será a última coisa que faremos. Ali, o mais complexo é a criação do sistema por eventos, por isso, iniciaremos com ele. No dia seguinte, se ainda não, concluiríamos o item anterior. Depois seguiríamos para o primeiro item, a construção de inimigos. Nesse caso, o mais simples não vai ser o último porque, para fazer o último item, o segundo e o terceiro devem estar concluídos, por isso a variação.

Para resumir...

Podemos começar, com esse método, as atividades de mais para menos complexas, com excessão das atividades que logicamente devem vir depois de uma outra: como a iluminação de um mapa, que deve ser feita depois do mesmo.

Seu Local de Trabalho:

Essa parte é um pouco menos informativa e mais sugestiva. Como deixar o ambiente no qual estou mais agradável?


Evitar ao máximo os ruídos é importante, além de ser extremamente indesejável, atrapalha e muito seu desempenho.

Ouvir música enquanto trabalha é divertido, principalmente músicas animadas — não se aplica muito a textos a última palavra, afinal, fazer um texto de terror ao som de Baby Metal não é dos mais recomendados.

Diminuir o trabalho no verão, o calor é insuportável. Além disso, temperaturas altas podem atrapalhar seu desempenho, assim como, ou pior, que os ruídos.

Durante os intervalos, não fazer algo que possa te levar a 'querer mais', como um episódio de anime ou sério onde esteja ocorrendo um clímax. Nem preciso dizer qual é o motivo, preciso?

Caso se canse, pare. Se forçar vai criar um maldito e odiável Bloqueio Criativo. Sério. Não faça isso. Se se cansar, espere ter vontade novamente para voltar com sua rotina, mas não se engane, procrastinar não é das melhores coisas.

(• ◡•)/

Concluímos então que a organização é um dos fatores mais úteis na hora de se trabalhar. Dessa organização tiramos um trabalho mais saudável, menos cansativo e mais agilizado. Espero que o texto tenha lhe sido útil e de boa leitura. Até mais.


9
Em primeiro lugar, olá. Essa é uma tentativa — talvez falha? — de fazer uma música própria. Desculpem pela qualidade do áudio do vídeo, vou tentar arrumar isso nas próximas vezes. Mas enfim, esse é o vídeo:


10
Nossos Mundos Diferentes

Meu mundo é uma verdade estranha,
de hipocrisia um pouco,
enquanto muitos passam fome
um quê de primeira eu como.
Minha história é bem sofrida,
começa no meu berço,
minha mãe desempregada,
o meu pai buscando emprego,
devido a situação,
tive que improvisar,
virei aquilo que sou,
minha tática é roubar.

Não é diferente daquele que passa fome na rua,
busca por vidas melhores pegando coisa que não é sua.
Não é diferente das favelas,
no meio de gente certa,
no meio dessas pessoas,
existe aquela que não presta.

Cresci na classe média,
me contento, assim tá bom,
só não gosto de não ter tudo,
enquanto alguns tem e mais um pouco.
A corrupção é causada por aquele acima,
eu não tenho parte na culpa, pois eu vivo minha vida.
Mesmo que eu não tente, que eu não busque mudar,
mesmo que eu me sente e espere alguém por mim lutar,
no fim de tudo, posso na internet usar
o Facebook pra do meu país reclamar.

Não é diferente daquele que passa fome na rua,
busca por vidas melhores pegando coisa que não é sua.
Não é diferente das favelas,
no meio de gente certa,
no meio dessas pessoas,
existe aquela que não presta.

Conto com a verdade, seu voto no dia da eleição,
construir um país novo, aceite a minha doação.
Meio essa desgraça de um povo que senta e espera,
vou fazer milagre, trazer ouro, acabar com todas as guerras.
A violência se vai, crime e fome se vão,
todos aqueles que fazem desgraça, receberão forte punição,
mesmo que eu mesmo crie desgraça, mostro o caminho pra essa nação.

Não é diferente daquele que passa fome na rua,
busca por vidas melhores pegando coisa que não é sua.
Não é diferente das favelas,
no meio de gente certa,
no meio dessas pessoas,
existe aquela que não presta.

Até mesmo morro se necessário
por um país, uma vida melhor,
mas não me movo se necessário,
minha justiça é de dar dó.
Denuncio propina, suborno, sujeira,
mas trato de forma diferente quem dá mais,
não somos nós todos, na verdade,
dois lados opostos de muros surreais?

Esse é a pequena porção acima do muro
que nos separa em nossos mundos diferentes.

11
Well... essa foi uma tentativa de diálogo pro livro que continuo tentando fazer por debaixo das sombras e panos.

Open me, pris
Mantivemos um silêncio depois disso, acho que nós duas ficamos sem graça enquanto ele se mantinha. Olhávamos fixamente para o caminho com o objetivo de esconder a pequena vergonha que sentíamos ali.
"O que você gosta de fazer?", eu disse tentando afastar pra longe aquele silêncio irritante.
"Eu? Não sei bem."
"Não?"
"Na verdade eu sei..."
"Você é um pouco estranha..."
"Não sei me expressar bem, me desculpe."
"Tá... mas enfim, o que você gosta de fazer?"
"Hummm... eu toco."
"Toca?"
"Sim."
"Toca o quê?"
"Violão. E você, o que gosta de fazer?"
"Eu... bem... eu não faço muita coisa."
"Sei..."
Mais um pouco de silêncio, mas, dessa vez, resolvi quebrá-lo mais repentinamente:
"Você toca faz muito tempo?"
"Desde os nove."
"Legal. Como é tocar violão?"
"É... normal?"
"Normal como? Nunca toquei nenhum instrumento."
"Bem... no aço os dedos doem um pouco, mas a gente nem percebe. Eles costumavam sangrar no frio, mas de uns anos pra cá não sangram mais. Ah sim, às vezes machuco a pele entre a unha e o dedo, não sei o nome..."
"Cutícula?"
"Não é cutícula... ah, não importa. É essa parte aqui."
Ela disse enquanto apontava para a pele que ficava na parte superior da unha.
"Entendi."
"O som dele é bonito."
"Eu gosto."
"Bem...", ela disse abrindo um sorriso, "a minha casa é ali. Até amanhã...?"
"Liza. É Liza."
"Então... até amanhã, Liza."
"Até amanhã, Katherine."
"Katherine é muito grande... Kate é melhor, não é?", ela abriu um outro sorriso.
"Tudo bem. Até amanhã, Kate."
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 :medo:

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Histórias - Exposição e avaliação / Eu, aleatório
« Online: 18 Abr 2017, 14:22 »
Eu, Aleatório

Eu era um pouco diferente. Aos cinco, diferente de qualquer outra criança não gostava de chocolate ou qualquer tipo de doce, eu gostava de amendoim salgado. Sério, como alguém pode não gostar de amendoim? Aos quinze, enquanto todas se apaixonavam por cantores, eu ouvia música. Sim, eu ouvia música. Elas não ouviam, elas viam. É engraçado pensar que, com o tempo, a música foi perdendo a importância.

Não, não foi.

Não bastasse as músicas que eu, em minha humildade, considero vazias, sem conteúdo; ainda deveria me acostumar com artistas visuais armados de guitarras, baterias e, muitas vezes, nem mesmo disso? O problema não é o conteúdo das músicas — nem a falta dele —, o problema é que a música não importa, o que importa é o cantor.

Não generalizo, sou um caso diferente, devem existir muitas outras como eu.

Lembro que, naquela época, uma amiga me recomendou confiante a música de um artista que, na época, fazia um sucesso incrível — não me recordo do nome agora —, então pedi para que ela cantasse um trecho de uma música dele. "Música? Bem... eu não decorei as letras dele". Depois dessa resposta, educadamente pedi para que me dissesse do que elas se tratavam. "Estão em inglês, não entendo muito bem". Eu disse que procuraria por ele ao chegar em casa de noite e não sei, sinceramente, se me esqueci ou não fiz questão.

Aos dezenove ingressei numa faculdade pública na região. Muitas pessoas de muitas idades diferentes, mas uma coisa em comum me surpreendeu: quantidade de pessoas que dormiam. Sabe, gente, eu entendo completamente as pessoas que dormem do infantil e fundamental ao médio, elas só não gostam de estar ali e estão sendo obrigadas ao mesmo; mas o que leva alguém a dormir num curso que, com muito suor — acredito —, está pagando? É impressionante que estes mesmos dorminhocos tiveram notas maiores que as minhas no fim — não falo de setenta ou oitenta, falo de noventa, noventa e cinco. Não apresentaram um único trabalho em sala, pelo que me lembro. Será que sairiam dali como profissionais? Finalmente cheguei aonde gostaria. Nossos profissionais que são tão corruptos naquele estágio têm direito de reclamar por um país mais justo?

Sim, tem.

Todos têm o direito, não? São poucos os que, de fato, fazem-no valer. Eu falo sério quando digo que me revolto ao ver alguém que não é capaz de me dizer quanto é seis mais seis passar numa prova de matemática com nota maior que a minha, alguém que não sabe onde vai o "n" e onde vai o "m" numa palavra tirarem notas melhores que as minhas em avaliações de português. Elas realmente sabem o que marcam naquela folha de papel? Elas não são capazes de lidar com um trabalho direito mais pra frente em sua vida, o que as leva a fazer um trabalho mal-feito. Isso não é corrupto?

Aos vinte e oito arrumei um namorado. Ele era um cara muito legal, nos conhecemos na faculdade e continuamos a nos falar por alguns anos antes de namorar — nove, talvez? Nos casamos um ano depois disso. Três meses depois do casamento nos divorciamos.

Por quê?

Ele não era o namorado que conheci aos dezenove na faculdade, era um babaca aos trinta. De verdade, por mais infantil que ele poderia ser, não era esse o problema. Como alguém consegue reformular seu caráter para pior em menos de três meses? Como alguém consegue mudar completamente em tão pouco tempo? É tão fácil jogar fora sua máscara? Me ensina. Eu não chorei quando ele foi embora, aliás, quem o mandou embora fui eu. Por que eu deveria chorar? Se nos divorciamos é porque não deu certo, não é? Aliás, adoro usar esse ocorrido como exemplo para quando algum amigo está em depressão pós-divórcio, não dói em mim, não deveria doer muito em você. Tá bom, tá bom, eu tenho uma personalidade ruim, mas não me culpe por isso.


Isso sou apenas eu, aleatório.

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Histórias - Exposição e avaliação / Eu sou a luz do Mundo
« Online: 17 Abr 2017, 21:26 »

Eu Sou A Luz Do Mundo


Sou a verdade, sou a luz do mundo, sou a razão e a existência. Tudo me pertence, a verdade me pertence, sou a verdade. Tudo aquilo que excede os limites de minha fonte é ruim e tudo aquilo que vai contra a minha verdade é vão. Sou aquele que tira todos os pecados do Mundo. Sou Deus.

Sou a água da vida, sou a fonte de felicidade e vida eterna.

Sou a ordem por trás das cruzadas, dos massacres às bruxas, sou aquele que pune os ímpios e os pecadores. Mas, mesmo assim, sou pura e infinita misericórdia.

Felizes os que acreditam sem ver, pois aos céus conhecerão. Sois aqueles que não rezam a mim caso minhas bençãos não venham. Sois aqueles que usam meu nome para os mais diversos e sujos meios. Sois aqueles que utilizam de minha palavra, palavra de verdade e vida para que tudo se faça.

Minha palavra é uma arma.

Eu existo, os outros deuses estão abaixo de mim. Punirei aos deuses do Egito, pois eles são contra mim. Se estás triste comigo, sem mim serás ainda menos feliz. Punirei aqueles que não acreditam, independentemente de suas ações naquela que criei. Sou a justiça maior que vai além de toda lógica, sou o criador.

Sou a essência da vida, sou aquele que pode matar. Tenho as certas razões. Puni aos todos habitantes de Sodoma e Gomorra pois eram ímpios, maldosos. Puni meus filhos com a morte e o inferno. Afoguei-os nas águas de minha ira, mostrei a todos os humanos e animais que viviam na terra que era o maior, o perfeito, o todo-poderoso. Levei as águas para as regiões daqueles que não praticavam o pecado, que não conheciam a palavra. Eles não eram dignos.

Sou a verdade.

Sou Deus? Não... me chamo homem. Sou a religião. Sou a bíblia. Sou a ferramenta de para o bem e de para mal. Não fui eu aquele quem fez estas ações, foram vocês. Eu existo? Não importa. Não credes sem que precises ver?

Sou a verdade.



Nota: Por favor, não levem este texto para o lado ruim. É uma crítica religiosa, não a Deus, exista ele ou não. Peço compreensão para lidar com esse assunto delicado de forma mais natural possível.

14
O nome é auto-explicativo.

Vou começar com umas minhas  :medo:

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Histórias - Exposição e avaliação / Relógio de Pulso
« Online: 12 Abr 2017, 18:15 »
Relógio de Pulso

Era tarde, mas não tão tarde. Àquela hora saíam de seu trabalho, apressados e vidrados no relógio, senhores vestidos de preto e branco, ternos das mais variadas marcas e preços. Eu não deixava aquela rua desde que amanhecera, mas não recebi um único olhar direto dos senhores de terno. As ruas têm cor, sabia? As nuvens se movem, sabia? Também as folhas das árvores são algo para se olhar, não existe movimento apenas nos ponteiros do seu relógio.
Eu costumava tocar com uma pequena banda no interior. Som de baixa qualidade, membros despreocupados, pouca remuneração por show... falência. Não é sempre que bandas fazem sucesso, existem vários como eu, talvez até milhares. A vida muda, não apenas os ponteiros do seu relógio. Eu deixei minha a casa aos dezoito com a banda, tocamos pela região por uns dois anos. Falimos.
Não tinha pais, não tinha esposa, não tinha filhos. Não tinha família. Era incrível como tudo havia mudado, instantaneamente. Não são somente os ponteiros do seu relógio que não esperam.
Eu costumava andar de olhos presos aos ponteiros do relógio, eles me mostravam quanto tempo levaria até que meu miserável show acontecesse. Hoje não mais tenho relógio.

Não é apenas o relógio que quebra.

Meu hoje é aqui nessa calçada, meu amanhã será aqui também. Mas o seu não será.

A vida não usa relógio.

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