[REVIEW] Hardline - Fever Dreams

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Ciclope

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Tópico criado em: 06/10/2015 às 10:23

Review de uma música? Por quê?

Porque sim u.u BORA!

HARDLINE - Fever Dreams

Introdução: já deixa claro o foco na atmosfera dos anos 80/90, mirando no fator nostalgia - geralmente por conta de uma mistura de sentimentos na composição: a paixão pelas influências do passado, que cria sons característicos de uma época à qual a canção não pertence, e um certo charme contraditório que surge quando um grupo busca o som do passado, mas justamente por fazer isso num mundo onde tantos outros buscam o futuro, o peso, a velocidade, acaba se tornando algo... não original, mas carismático at least.

A intro é dividida em duas partes, e a entrada da segunda é muito intensa, vindo de surpresa quando tudo indicava que o que iria entrar era um verso morno. No entanto, o que entra é a guitarra, com um solo "grand finale", que funciona muito bem quando é colocado no início de uma canção, pois este tipo de Coringa geralmente é guardado na manga durante a música inteira, pra ser jogado apenas no final, quando muitos já pararam de ouvir e pularam para outro som qualquer.

Verso: A entrada é difícil de antecipar, vem e imediatamente soa como um encaixe mal executado do fim da parte instrumental com os compassos seguintes, mas essa sensação pode ser eliminada ao ouvir mais uma ou duas vezes. Canções têm disso, trechos que são difíceis de digerir, mas que, apesar de uma estranheza à primeira "vista", não comprometem a obra como um todo.

Ponte: A ponte é perfeita, um ótimo encaixe nas duas pontas, mais intensa do que o verso, porém, mais morna do que o refrão. A antecipação criada nesta parte é bem construída, bem mantida, sem notas estranhas, sem invenção de moda - ponte padrão, que cumpre o seu papel.

Refrão: Grudento, clichê, grudento e clichê... mas funciona. Vamos dizer que não somos humanos e que não somos afetados por fórmulas musicais? C'mon! Refrões clichês são clichês por um motivo: eles funcionam, sempre, pois são feitos por pessoas para atingir pessoas onde não há defesas. Alguns arrepiam com peso, outros com velocidade, notas altas, notas graves, é algo muito relativo, mas a fórmula de um refrão com várias camadas de vozes e notas e palavras estendidas ao máximo, é sinônimo Hit crítico.

Some isso às palavras "legais" de pronunciar, e pronto: tá aí um refrão pra ficar cantando no falsete o dia inteiro.

O 3º ato é fora de série, e vamos ao porquê: O refrão - que sucede o solo e a parada - vem, não apenas de surpresa, entrando no contra tempo, mas em tom elevado, o que cria um climax digno de aplausos - boa estruturação, e ótimo uso de idéias simples pra tornar aquilo que poderia ser repetitivo em algo surpreendente. Característica de quem sabe fazer música.

Pegando o gancho: saber fazer música não é solar mais rápido, não é triggar os pedais e soar como uma máquina, assim como não é baixar a afinação pra parecer mais sério e agressivo. Fazer música é puxar os holofotes para cada instrumento no momento certo, pra dar aquele gostinho, mas sem aparecer demais, a menos, é claro, que a música peça isso.

Não se trata do guita, da cozinha, do vocal... se trata da canção: o que ela pede? O que é preciso para que ela dê certo?

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VOZ: Uma Power Ballad não funciona sem uma voz forte pra sustentar os pilares do instrumental. Transmitir a emoção, colocar seu timbre acima dos demais instrumentos, são alguns dos requisitos essenciais pra coisa fluir. Presença de palco e boa movimentação são bons adicionais, mas um timbre característico e feeling para interpretação são indispensáveis.

GUITARRA: Discreta no geral, por dividir sua função com o teclado, mas que aparece nos momentos certos, dando até uma palhinha de virtuosismo aqui e ali.

TECLADO: Escolha perfeita de timbres, criando a ambientação certa para cada parte da canção. O Riff inicial vem deste, e somente deste, o que gera uma grande presença, assim como nas partes do verso onde anda junto com a voz, preenchendo as lacunas, recheando a melodia.

BAIXO: Sempre em sincronia com o bumbo, o que é super agradável aos ouvidos. Nada mais satisfatório do que ouvir os trechos do verso onde o instrumental flui de maneira minimalista, e os únicos picos de intensidade são notas de bumbo e baixo, em perfeita sincronia.

BATERIA: Viradas simples, 4x4, mas sempre no momento certo. Boa antecipação nas transições verso/ponte, ponte/refrão, e o ótimo uso de surdo e caixa, alternando como nota de cabeça de tempo. Esta segue a filosofia de que mais vale uma nota intensa do que dez notas fantasmas que só causam confusão e poluição sonora.