Acho que você quer dizer
personagens verossímeis, certo? Todos com seus defeitos e qualidades aparentes. A ideia do herói humanizado é muito interessante, se bem utilizada. Assim como a teoria do
vilão não tão vilão. Vamos analisar?
Os antigos heróis tinham, por definição, uma índole inabalável quase robotizada. Seu senso de certo e errado era absoluto e eles jamais tombavam para o lado negro. Embora funcionasse, a personalidade destes
seres superiores os afastava muito de nós, meros mortais. Mas nos tempos modernos, temos visto muitos conflitos nos quais o dito herói precisa escolher entre o bem maior e os desejos do ego. Esta é uma ferramenta incrível na manipulação do enredo.
Já os chamados vilões eram a personificação do mal. Derivados dos planos de satã, eram os típicos imorais -
senão irracionais - baderneiros e dominadores do mundo. Eram os poços do vício. Já os novos são tão idolatrados quantos os heróis -
essa é uma discussão que pretendo lançar em breve. Talvez isso se dê no
aprofundamento que tiveram. Os antigos malfeitores eram apenas o mal. Hoje eles possuem personalidade forte, motivações plausíveis e possíveis. Comumente acompanhados de um passado de sofrimento e tortura emocional.
Sem dúvida essa mistura de bem e mal se aproxima muito mais da humanidade. O que torna fácil a identificação do
leitor/espectador/jogador. Somando isso à uma personalidade interessante, motivação plausível e objetivo coerente, não há como dar errado.
Discutindo sobre isso em um grupo de escrita, recebi a seguinte dica em relação aos vilões:
A melhor forma de criar um antagonista de sucesso é torná-lo uma pessoa comum. Depois, inclua em sua mente temas aos quais a sociedade foge. Assuntos proibidos e tabus sociais/morais. Faça isso ser de grande importância para ele. Independentemente do resto, ele será julgado como um louco e as pessoas loucas são as mais interessantes.