Marcos Castro lança campanha para jogo A lenda do herói

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Ciclope

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Resposta 45: 25/07/2014 às 21:02

Sobre o fato do momento do lançamento fazer diferença: concordo. Claro que faz, lançar um RPG na mesma época do lançamento de um Final Fantasy, por exemplo, infelizmente irá afetar as vendas, mas, ao menos, não irá afetar a qualidade do jogo em si.

Você ter uma boa ideia, dar vida a ela e esperar a melhor hora pra lançá-la ao público, é ótimo, é assim que se faz e tal. Um exemplo simples: Fantasia Medieval ganhou força com a série Game of Thrones, e isso dá um boost na audiência de jogos do gênero. Eu, enquanto desenvolvedor de um jogo de estilo semelhante, fiquei feliz em ver que o timing está a meu favor, mas isso é totalmente diferente de: "Ow, Fantasia Medieval está em alta, preciso arrecadar dinheiro e fazer um jogo desse estilo o mais rápido possível!"

Acho que isso define a minha visão sobre o assunto. Nada contra você criar algo e usar timing e hype a seu favor na hora de lançar, mas dar o primeiro passo à base desses fatores é começar com o pé errado, e aparentemente, é isso que os caras estão fazendo.

Zackh

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Resposta 46: 25/07/2014 às 21:24

Ciclope... você só está se esquecendo o fato de que o primeiro vídeo foi lançado em Janeiro de 2012 . 2 ANOS e MEIO atrás. Eles então lançaram mais duas fases, e estão desde o final do ano passado fazendo reuniões e planejamento acerca do projeto. Ou seja, nem de perto eles estão "Apressando as coisas" por conta do "Sucesso do momento". Isto seria verdade se eles tivessem feito a proposta em 2012. Não agora.

A quantia que eles já mostraram, eles já possuem gráficos, uma engine e sistemas elaborados, uma equipe de produção e provavelmente boa parte do roteiro em mãos.

E por fim, a promessa de finalização é para 2016. Sim, 1 ano e meio a partir de agora. Então, sinceramente, como é que você pode dizer que eles estão "Começando" a partir deste princípio,  e que estão "Apressando as coisas" ?

Me parece que você apenas não se informou o suficiente para mandar este argumento.


Ciclope

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Resposta 47: 26/07/2014 às 08:37

Pra falar a verdade, eu realmente me informei muito pouco sobre o assunto =P

A Fase 1 da Lenda do Herói é uma obra fantástica, e eu ainda fico arrepiado sempre que volto pra assistir, mas eu continuo com a impressão de que os caras estão fazendo um movimento errado, ao tentar encaixar uma obra - que funcionou no Youtube - dentro de um vídeo game, quase como quando um filme faz sucesso, e alguns desenvolvedores/executivos acham que podem recriar a mesma essência em outras obras (sequel, seriado ou jogo baseados no mesmo).

Em outras palavras: eu não tenho nada contra ver os caras lançarem um jogo, até porque o Marcos Castro tem muito talento, principalmente pra comédia, trocadilhos e afins. Mas me incomoda ver que eles se prenderam a algo que já teve o seu momento, me incomoda ver que eles vão espremer tudo o que puderem da Lenda do Herói, até que esta perca todo o seu brilho.

Os Irmãos Castro não são desenvolvedores de jogos, mas ao lançar um jogo, eles provavelmente vão ter muita audiência e repercussão logo de cara, o que é ótimo para o cenário de desenvolvedores brasileiro, e é justamente por isso que eu penso: se é pra começar, começa direito, larga do passado, move on! Crie algo novo, e mostre que o cenário brasileiro pode criar bons jogos do zero, sem a necessidade de estar ligado a uma obra que fez sucesso no passado. O meu mimimi é basicamente por isso.

=)

Moon[light]

Resposta 48: 26/07/2014 às 09:23

Se eles criassem algo novo talvez não tivessem o mesmo sucesso. Novamente, é uma decisão puramente comercial - e bastante lógica.
'cê tem que lembrar que eles não são indies que estão desenvolvendo pensando na evolução do mercado ou em como isso pode influenciar positivamente o Brasil. Eles são caras que querem fazer um jogo e ganhar dinheiro. Ponto. Não tem ideais envolvidos nem qualquer tipo de sentimento de orgulho nacional. Tem grana. Se você pensa assim, todas as escolhas deles são justificadas.
Eu realmente estou ficando muito babaca... ou muito velho. Você decide.

Cronus

Resposta 49: 26/07/2014 às 09:30

Aproveitando o argumento do Ciclope a respeito do desenvolvimento de jogos no Brasil, vou dar uma de advogado do Diabo aqui por um momento e puxar um tópico importante. A única coisa em que sou do contra é o seguinte: Tem uma caralhada de jogo indie brasileiro e artista brasileiro por aí mas o público brasileiro simplesmente não dá apoio.

Recentemente por exemplo o jogo Adventurizator: When Pigs Fly entrou em acesso antecipado na steam. É um jogo de um estúdio brasileiro, super original e com uma ideia bem interessante: criar seus próprios Adventures se aproveitando de um gameplay emergente, onde ao invés de ter ações lineares, qualquer puzzle pode ter multiplas soluções porque cada objeto ou personagem tem múltiplos usos e interações com outros. E apesar de o jogo ser bem conhecido no meio do nicho indie, nunca vi um público mais geral falando dele, os vídeos do jogo no canal oficial tem pouquíssimas visualizações... Claro, dá pra contar com o fato de que a divulgação foi desenvolvida dando prioridade pro mercado estrangeiro e isso pode afastar uma parcela de desenvolvedores brasileiros, mas se os desenvolvedores fazem isso é já pra não perder o publico estrangeiro se focando na audiência nacional que é muito ruim.

Nesse ponto os irmãos Castro tem um grande Ás nas mangas, que é fazer parte da "elite do youtube brasileiro" se é que se pode chamar assim, e isso já garante um público monstruoso. Não que não seja por merecimento e que o jogo deles não mereça esse público, mas esse público não tá ligando pro desenvolvimento de jogos nacionais, esse público não apoia jogos independentes. Basta dar uma olhada no número de comentarios de gente dizendo "Eu não tenho dinheiro pra ajudar" ou "O jogo vai ser de graça né? Espero que seja". Veja quantos jogos nacionais bacanas temos: Aritana, Out There Somewhere, Mr. Bree, Soul Gambler, Oniken... a lista segue, mas coloco minha mão no fogo pra dizer que nenhum desses jogos teria tanto apoio ou retorno financeiro com uma campanha do Catarse quanto A Lenda Herói, mesmo se o valor fosse 3x menor. É porque a massa brasileira não liga e não aprecia esse esforço, menosprezam a capacidade dos desenvolvedores nacionais e não estão tão dispostos assim a colaborar.

Vamos ver um exemplo prático: O humilde jogo nacional Dreamming Sarah. Da meta de apenas R$5,000, a campanha arrecadou apenas 36% desse valor durante seus 60 dias de duração. Muito diferente dos 60% da Lenda do Heroi em 3 dias, né? Dreamming Sarah não é lá o jogo mais original, excepcional ou de grande apelo ao público geral (pelo menos na minha opinião). Mas se 125 mil é um valor muito alto, porque um jogo que pede só 5 mil foi tão mal sucedido? Porque o público não liga e não acredita em jogos nacionais, não querem dar dinheiro pra isso.

Sabe onde mais acontece algo desse tipo? Na nossa querida comunidade de RPG Maker. A comunidade de RPG Maker é um nicho tremendo, onde as únicas pessoas que se importam com os jogos e o desenvolvimento somos nós mesmos. A gente infelizmente tem o hábito de se confortar em ficar num canto só, fazendo tudo devagarinho e quando dá, abandonando nossos projetos ao decorrer dos anos. E mesmo quando ficamos anos trabalhando num jogo e conseguimos terminá-lo, o retorno é minimo pra grande maioria. E é exatamente por isso que algumas pessoas por exemplo deixam de se limitar à fazer jogo em portugues pra atingir só a comunidade nacional ou também procura outras engines (já debatemos sobre isso varias vezes, não?) - é porque não é gratificante se empenhar e trabalhar em algo quando ninguém tá ligando pra você faz, sóem nível superficial.

Mas bem, a diferença crucial de que fazemos isso por hobby e que buscamos a nossa própria satisfação pessoa l de dar vida pra nossas ideias, não buscamos lucro nem popularidade. Mas sabemos que mesmo assim, é chato pra cacete ter a sensação de que você tá desenvolvendo algo que alguém não vai jogar ou que ninguém liga, não é? Agora passe essa ideia pra um plano maior, adicione a meta de tentar fazer desse projeto sua renda e o investimento maior que você vai precisar pra realizer esse sonho. Isso é o mercado de jogos indie BR.

Através desse ponto de vista, dá pra se ter dois lados da campanha da Lenda do Herói. Um deles é a tremenda frustração de saber que ser bem sucedido é pra poucos e que pra isso você TEM que se aproveitar de modismos, de hypes e da popularidade de outras mídias pra poder ter publico e visibilidade. Ter uma ideia boa e material de qualidade não são o suficientes.
Mas por outro lado, tem o fato de que isso mostra que temos que usar os limões que a vida dá e aproveitar todas as oportunidades, porque é dificil e qualquer coisa que possa te ajudar nesse objetivo é válida contanto que seja justa. E quem sabe se sucesso dessa camapanha não influencie a produção de jogos nacionais posteriormente, fazendo com que o público maior abra os olhos e tenha mais interesse em apoiar os jogos independentes? Talvez seja esperar muito, mas torço pra que isso possa acontecer.


Moon[light]

Resposta 50: 26/07/2014 às 10:08 - Última modificação por Moon[light] em 26/07/2014 às 10:12

Olha, o lance é que isso não é algo que existe só no Brasil (embora aqui seja mais grave) e que mesmo aqui não está limitado só a jogos. A indústria cultural brasileira TODA é assim. Não só a de jogos que vive nesse estado - quadrinhos, filmes, livros, músicas, absolutamente tudo. Brasil SEMPRE foi um país regado a modismos, com um público interno que tem um interesse mínimo na produção nacional e com um nível de importação de material cultural IMENSO. Para fazer sucesso em qualquer coisa no Brasil o melhor jeito é ser famoso previamente, seja no que for.

Então, tipo, o buraco é mais fundo, sabe? É um problema de identidade nacional, um problema cultural mesmo. A única maneira de fazer algo vender no Brasil é com MUITO marketing, mas marketing é caro e limitado, então a maioria não consegue. E a Internet não muda muito essa situação simplesmente pelo fato de que as pessoas que acessam a internet também são brasileiros e também existem dentro desse contexto e dessa cultura.

Meu, só fazer um exercício mental simples - quando um cara quer um jogo novo ele vai pensar em pegar o indie nacional ou o jogo americano de que todo mundo tá falando e fazendo gameplay? Só ver quando tem lançamento quantos vídeos no YouTube saem. Esses jogos têm marketing natural, eles têm divulgação na grande mídia da Internet, coisa que a maioria dos jogos não têm. E aí que o negócio fica tenso.

Agora pega esse A Lenda do Herói. Quantos sites não falaram dele? Sites com um número absurdo de acessos. JovemNerd, JWave, uma porrada de canais do YouTube e, se bem me lembro, até o Omelete. Tem uma panelinha enorme desses caras que divulgam uns aos outros e têm um poder cultural gigantesco sobre a internet BR. É quase como uma Rede Globo, sabe? Aliás, é exatamente como a Rede Globo e, repito, o que aconteceu com esse A Lenda do Herói é absolutamente igual a quando um ator da Globo lança um livro ou vira DJ. A galera corre atrás porque eles são conhecidos, porque têm divulgação. O que é irônico para cassete, aliás, dado a postura que a maioria do povo tem quanto à televisão e esses lobbies (sim, lobby).

Então, é aquilo, a situação é a mesma que sempre foi desde a época dos jornais, passando pelo rádio, pela TV e agora a Internet. Ser famoso sempre foi e sempre será a única coisa que te dá alguma certeza de fazer sucesso por aqui. Se você não tem os contatos com a galera conhecida, bem, meu amigo, é melhor você saber sambar.

E sabe o que é mais maneiro? Fóruns de RM são a mesma coisa.

P.S: Dizer isso deve me fazer soar hipócrita para porra, aliás.
Eu realmente estou ficando muito babaca... ou muito velho. Você decide.

Ellye

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Resposta 51: 26/03/2016 às 22:48 - Última modificação por Ellye em 26/03/2016 às 22:53

Revivendo:

http://store.steampowered.com/app/389170/

O jogo foi lançado no steam há poucos dias e, fora alguns probleminhas, em geral parece que foi bem aceito até.



Sobe o tópico em si, pointless reviver uma dicussão de dois anos atrás, mas li tanta coisa absurda aqui. Pessoas realmente acham que 120 mil reais é "dinheiro demais" pra fazer um jogo? Isso não paga o salário de uma equipe pequena nem por um ano, mesmo encontrando pessoas dispostas a trabalhar por um salário bem abaixo do normal de mercado (i.e: amigos entusiasmados com a ideia ou coisa do tipo).

Tem gente que parece que imagina que crowdfunding e afins funciona assim: você pega o dinheiro doado, joga ele no monitor, e saí um jogo.

O Estranho

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Resposta 52: 27/03/2016 às 00:50

Comprei o jogo, mas estou meio decepcionado por esse atraso do lançamento pra Linux.
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