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A Busca Pela Originalidade

Iniciado por Corvo, 27/04/2018 às 22:49

27/04/2018 às 22:49 Última edição: 28/04/2018 às 10:40 por Corvo
A Busca pela Originalidade

Se a ideia é boa, já foi usada.

[box class=plainbox]O Paradoxo da Criação[/box]

Desde os mais remotos tempos, um grande problema que afeta os criadores é a originalidade. Se o seu trabalho não apresenta nenhuma novidade é muito provável que seja mal recebido. Entretanto, inovar também não te garante que o resultado agrade o público da forma como você espera. Nessas condições, poucas ideias podem atravessar os filtros da criatividade e, quando uma delas passa, é muito provável que já tenha sido usada. A verdade é que o criador não pode fugir disso. Se você teve uma ideia original saiba que as chances de ela já ter sido usada por outra pessoa - seja em qualquer época ou lugar - é exorbitante. Mas isso não é necessariamente um problema. A própria mitologia não passa de uma mesma história vista mediante olhos distintos.

Você consegue imaginar quantas histórias se originaram de uma pintura como essa?



Que tal o panteão Grego? Sem dúvida é o mais famoso. E quanto ao romano, idêntico, não? Podemos até mesmo dizer greco-romano e considerá-lo uma coisa só. Mais ao norte, temos Odin com seus dois corvos Hugin e Munin que sobrevoam o mundo durante o dia para lhe contar as novidades ao retornar. Poucas pessoas sabem que Zeus possui duas águias executando o mesmíssimo trabalho. Ambos são filhos de gigantes/titãs, ambos tem dois irmãos e ambos prezavam pela hospitalidade. Se quando o mundo era jovem as histórias já se assemelhavam, imagine hoje?

[box class=plainbox]Exemplos Atuais (ou Nem Tanto)[/box]

Vejamos, temos como o exemplo uma das histórias mais criativas das últimas décadas. O Senhor dos Anéis, a obra prima do escritor britânico J.R.R. Tolkien ganhou inúmeros prêmios e é considerada o melhor épico fantástico já escrito. Não é preciso analisar à fundo para notar a semelhança do universo de Arda com a mitologia escandinava. Na maior parte das vezes, o termo Terra Média (Middle-earth) é usado para se referir ao mundo de Tolkien sendo que o próprio nome é apenas uma tradução do norueguês Midgard, a Terra do Meio.

Esquema representando a Yggdrasil, árvore dos mundos.



Outro caso parecido é o de Richard Wagner, renomado maestro e compositor alemão do século XIX que compôs a ópera Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo). Richard se baseou em um poema épico (Das Nibelungenlied) escrito por volta de 1200. Tolkien nunca reconheceu a semelhança de sua obra com essa lenda e, consequentemente, com a ópera. Entretanto, para qualquer leigo é fácil confundir o Ouro do Reno com o Um Anel.

[box class=plainbox]Resolvendo a Questão[/box]

O truque evidente para uma criação original não é sua essência, mas sua superfície. O modo como você conta/mostra seu conceito é o que realmente define o quão original ele parece. Lembre-se do segredo: parecer. Muitos dos melhores escritores e roteiristas reaproveitaram mitos - e por que não, outras histórias? - em suas obras. J.K. Rowling o fez na série Harry Potter quando recontou vários dos mitos do Ciclo Arturiano, lendas medievais como a de Nicolas Flamel e até mesmo a construção de personagens de Homero, em A Odisseia. C.S. Lewis o fez em Crônicas de Nárnia quando reuniu criaturas de todas as mitologias do planeta para povoar seu universo, além de muitos conceitos do Cristianismo. Somando Tolkien ao grupo - por motivos já explicados - temos os três autores considerados como os mais criativos entre as obras de fantasia. Outros exemplos seriam Bram Stoker, Stephen King e até o próprio Homero que transformou contos e parte da religião local nos pilares culturais do ocidente. Para não estender a lista, fiquemos por aqui.

[box class=calendar_today]
Agora que tal analisar seu próprio projeto? Existe algo nele que se pareça muito com outra coisa?
Inspiração? E o que você faz a respeito?[/box]



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Um exemplo bastante recente desse impasse entre mudar ou manter o que está bom é o novo God of War. A franquia já não tinha mais aquele vigor que tinha nos primeiros dois jogos e pedia uma renovação, que na minha visão e na da maioria das análises, fora muito bem aplicada. Porém, há quem gostasse da franquia como ela era, hack'n slash bruto e afirma que não se trata mais do bom e velho God of War, diferença que eu não refuto. O Assassin's Creed: Origins, por outro lado, teve mudanças bem menos impactantes, mas o simples fato de mudar a periodicidade já serviu para fazer cessar a crítica aos jogos que saíam anualmente, o que me leva a crer que não basta mudar a obra, mas também adequar essas mudanças ao tempo.

Mudar é mesmo um passo em falso. Há pesquisas e especulações que possam sustentar essas mudanças, mas é impossível fazê-las com completa segurança de sucesso. Entretanto isso que é o maneiro do mundo das artes: ver algumas entrarem em declínio, geralmente caminhando para renovações, enquanto novas e inéditas despontam e vêm ao conhecimento do público, agregando na variedade disponível.

Todavia, eu sou um péssimo criador uehaueh Tudo que tento é pegar uma ideia e adequá-la no que faço para funcionar bem em conjunto às demais. Mas em se tratando de criar... é sempre um junta-junta de coisinhas dos outros.  :ded:

Concordo plenamente ! hoje em dia para ser inovador é preciso copiar, isso é inevitável, mas a forma como vc copia é que gera resultados, sempre que penso em desenvolver um projeto tento buscar algo que ninguém nunca tenha pensado antes, construir uma história com bases sólidas é importante mas se formos buscar a fundo o conceito de ORIGINALIDADE vamos perceber que nada é original além do nosso universo, pois tanto as mitologias como as imagens rupestres fazem uma tradução e uma imagem da realidade que nos cerca então ainda que de maneira imaginativa e as vezes até mesmo fantasiosa tudo se resume a traduzir e trazer uma referencia da realidade que nos cerca, mas a questão é que a originalidade vem quando vc consegue extrair varias copias e criar algo novo, em minha opinião é assim que se faz algo original, quando se traduz a realidade de forma inovadora

Citação de: King Gerar online 28/04/2018 às 10:58
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Todavia, eu sou um péssimo criador uehaueh Tudo que tento é pegar uma ideia e adequá-la no que faço para funcionar bem em conjunto às demais. Mas em se tratando de criar... é sempre um junta-junta de coisinhas dos outros.  :ded:

O que não é problema nenhum. Por isso mesmo eu citei a Rowling. Nos sete livros da série Harry Potter, supondo que possamos representar todo o enredo com 100 elementos, uns quinze ou vinte são criação exclusiva dela - até onde eu sei. God of War é outro bom exemplo. Os jogos anteriores, apesar de inserir umas poucas mudanças, seguiam a linha mitológica sem desviar em nada. No novo já adaptaram praticamente tudo, incluindo o meio e o fim da trama do inimigo - não citarei nomes pra não dar spoiler. o/

Citação de: Cross Maker online 02/05/2018 às 02:45
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mas a questão é que a originalidade vem quando vc consegue extrair varias copias e criar algo novo, em minha opinião é assim que se faz algo original, quando se traduz a realidade de forma inovadora

Tipo isso. Alguns escritores diziam que a ideia genial é aquela que faz outras pessoas pensarem "Eu podia ter pensado nisso!". Normalmente elas são só a junção de duas coisinhas simples, mas que ninguém tentou unir em uma só.